ChatGPT e Ghibli: Como a IA gerou uma febre nas redes e acendeu o debate sobre direitos autorais

ChatGPT e Ghibli: Como a IA gerou uma febre nas redes e acendeu o debate sobre direitos autorais

O que é a nova IA do ChatGPT e por que ela está viralizando? A OpenAI lançou recentemente o ChatGPT-4o, sua ferramenta mais avançada para gerar imagens com inteligência artificial. Em poucos dias, uma febre tomou conta das redes sociais: usuários começaram a criar imagens no estilo Studio Ghibli, o famoso estúdio japonês de animação.

As novas capacidades da IA permitem gerar imagens e vídeos incrivelmente detalhados, lembrando desde os traços de "South Park" até as clássicas animações de massinha. Mas foi o estilo Studio Ghibli que realmente conquistou a internet. Usuários do ChatGPT-4o e do Sora, o gerador de vídeos da OpenAI, recriaram cenas icônicas da cultura pop e da política com o toque mágico dos filmes "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado".

Studio Ghibli e IA: homenagem ou polêmica? A tendência gerou várias recriações curiosas, como um trailer repaginado de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, trechos de Família Soprano e até uma versão estilizada do bate-boca entre Donald Trump, JD Vance e Volodymyr Zelensky na Casa Branca. Os memes também entraram na onda: clássicos como "namorado distraído", "mano explicando" e até Ben Affleck fumando pensativo ganharam uma versão Studio Ghibli.

Outro post viral foi uma imagem do Elon Musk brincando com talheres, inspirada em um vídeo recente do bilionário equilibrando colheres durante um jantar oferecido por Trump em Nova Jersey.

Mas nem tudo são flores. Um vídeo de 2016 de Hayao Miyazaki, gênio do Studio Ghibli, voltou a circular nas redes. Nele, Miyazaki – fã de animação desenhada à mão – chama a arte feita por IA de "um insulto à própria vida".

Problemas com direitos autorais na IA: o que está em jogo? A nova ferramenta da OpenAI também acendeu debates sobre direitos autorais na arte gerada por IA. A polêmica surge poucas semanas depois de um protesto envolvendo quase 4 mil pessoas, que assinaram uma carta aberta pedindo para a casa de leilões Christie’s cancelar um evento exclusivo de obras de IA. O principal argumento é que essas inteligências artificiais podem ser treinadas com trabalhos protegidos por direitos autorais, levantando preocupações sobre o impacto na profissão de artistas humanos.

O que diz a OpenAI sobre a febre do estilo Studio Ghibli? O CEO da OpenAI, Sam Altman, fez uma brincadeira sobre a tendência no X (antigo Twitter). Ele comentou que passou uma década tentando criar uma superinteligência para curar o câncer, mas que o que realmente fez sucesso foi a febre Studio Ghibli.

"A maioria não liga pros primeiros 7,5 anos, depois, por 2,5 anos, todo mundo te odeia por tudo. Aí você acorda com um monte de mensagens tipo: 'Olha, te transformei num twink estilo Studio Ghibli haha'", escreveu ele, usando uma gíria para jovens magros e estilosos.

Entretanto, a OpenAI também demonstrou preocupação com os limites da IA. Quando a CNN testou o ChatGPT-4o para recriar memes no estilo Studio Ghibli, a IA recusou o pedido, alegando que "o pedido não seguia a política de conteúdo".

A discussão sobre IA e direitos autorais está apenas começando. Enquanto isso, a febre do Studio Ghibli nas redes sociais mostra o grande potencial (e os desafios) dessa nova era da inteligência artificial.